São João chegando, forró, bandeirolas, fogueira, comidas típicas e, pelas ruas, o inevitável barulho dos fogos de artifício. De maior ou menor potência, eles fazem parte da tradição junina e absorvem boa parte dos gastos das famílias no período.

Para quem cria animais domésticos, no entanto, a diversão é um problema. Os animais são muito sensíveis aos ruídos de fogos, que podem ser traumáticos e prejudicar gravemente a saúde de cães, gatos e até mesmo aves. Para evitar o estresse e ajudar a prevenir acidentes, o zootecnista Tarsys Veríssimo explica como os fogos afetam os pets e dá dicas de como os tutores podem cuidar e protegê-los nessa situação.

Em casos de muito barulho, deixar o animal em um local confortável, que ele se sinta seguro e fechar portas, cortinas e janelas para abafar o som. Se possível, pode ser criado um porto seguro para o animal.

Nos dias de festejos, quando pode ocorrer um foguetório, é interessante aumentar a atividade física do animal com a intenção de cansá-lo bastante. Se é um cão, pode-se fazer um passeio mais longo. Se é um gato, o ideal é brincar muito, fazendo-o pular e cansar.

“Alguns cães não apresentam reação negativa aos barulhos dos fogos, enquanto outros podem entrar em pânico. A sensibilidade a esses e outros ruídos possui relação com uma condição genética, além de também ter influência do aprendizado. Quando o barulho é muito alto, por conta principalmente da proximidade, o medo pode ser agravado e a audição pode até sofrer danos irreversíveis”, explica Veríssimo.

Os Idosos

Animais idosos e raças predispostas a problemas cardiorrespiratórios podem sofrer complicações ainda mais sérias. Tarsys acrescenta que não só animais domésticos sofrem nessas ocasiões. As aves e outros animais ao redor dos locais onde há queima de fogos acabam abandonando seus filhotes para fugir dos barulhos ensurdecedores.

Os tutores devem ficar sempre atentos aos sinais clínicos que indicam que os cães e gatos estão assustados com os barulhos. A ansiedade e o medo podem ser evidenciados por vômito, ofegância, salivação, tremores e convulsões, além de algumas alterações que não são visíveis, como o aumento do ritmo cardíaco.

Existem outros riscos que devem ser considerados, como a fuga destes animais ao tentar abrigar-se, com a possibilidade do cão ou gato pular de varandas, sair correndo pelas ruas, pular portões com lanças, já que eles ficam totalmente desnorteados e buscam acolhimento onde não há barulhos. Em animais epilépticos, os estrondos agravam situações de convulsões, mesmo com medicação controlada. Em pets cardiopatas, a arritmia cardíaca assume importância.

Por fim, Tarsys destaca a importância de procurar ajuda profissional. “É importante fazer um trabalho preventivo, e buscar ajuda de um profissional da área de comportamento é fundamental. Não se pode sair medicando ou tentando ensinar algo ao animal de toda forma, pois existem métodos adequados para cada situação. Portanto, procure um profissional para avaliar e proceder com a terapia comportamental e, caso necessário, medicamentosa.