O caramujo exótico invasor Achatina fulica é nativo do continente africano. Trata-se de um molusco que tem a concha cônica, de tom marrom claro e escuro até levemente arroxeado com listras negras, com potencial de transmissão de doenças, além da capacidade de causar danos ao meio-ambiente e, consequentemente, prejuízos econômicos.

Introduzido ilegalmente no Brasil, nas décadas de 1980 e 1990 (nas regiões Sul e Sudeste), visando obter uma forma alternativa e mais acessível que o escargot, de onde foi levado para outros estados. Entretanto, além de não ter sido bem aceito pelos consumidores, o seu cultivo foi proibido pelo IBAMA. Muitos criadores liberaram os animais na natureza sem adoção dos procedimentos de biossegurança adequados e, em 2020 o caramujo africano encontra-se distribuído em 23 dos 26 estados da federação. Essa difusão ambiental foi facilitada pela ausência de predadores naturais.

Com tamanho atingindo até 20 cm de comprimento e chegando a pesar entre 150 e 450 gramas, o caramujo africano alcança a maturidade sexual após os 5 meses de idade. Quando adulto, realiza até 4 posturas por ano, cada uma com 80 a 250 ovos. Os ovos são de tamanho maior que uma semente de mamão, de coloração branco-leitosa ou amarelada. Sua longevidade varia de 9 (quando em vida livre em convívio com predadores) a 12 anos (quando em cativeiro). Podem se deslocar por uma distância de até 50 metros por noite, preferindo ambientes com umidade acima de 50%. Sua versatilidade de locomoção, permite que escale muros, chegando a diferentes localidades. Além disso, o caramujo africano tem elevada resistência ao frio e à seca, sobrevivendo em oscilações de temperatura que vai de 4°C a 45°C.

Devido ao seu hábito alimentar, comendo praticamente de tudo o que encontra, além da inexistência de predadores naturais, esses moluscos se disseminam muito facilmente em todos os ambientes, contribuindo para o aumento populacional.

Quando infectado por parasitos, o caramujo africano pode transmitir dois tipos de doenças: a meningite eosinofílica (causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis); e, a angiostrangilíase abdominal, (causada pelo parasita Angiostrongylus costaricensis). O ser humano é o hospedeiro acidental, onde se infecta através da ingestão de alimentos contaminados com o muco de caramujos infectados com larvas dos parasitas. Com relação aos animais domésticos, dados de pesquisas indicam que o caramujo africano pode transmitir o verme Aelurostrongylus abstrusus para gatos, causando-lhes pneumonia.

Caso julgue necessário, é de responsabilidade do órgão governamental competente o uso de produtos para controle químico do caramujo africano. Contudo, no que tange às pessoas, é importante destacar que existem relatos de sucesso no controle fazendo apenas a catação manual (sempre com as mãos protegidas por luvas ou sacolas) para promover o descarte. Recomenda-se que a coleta seja feita pela manhã logo cedo ou ao anoitecer, períodos de maior atividade dos caramujos.

Os moluscos e ovos apanhados também podem ser esmagados (quebrando a concha por completo), contudo não se recomenda essa prática em virtude do risco de acidente com as conchas que podem promover cortes. Caso sejam esmagados, deverão em seguida ser depositados em uma vala, cobertos com cal virgem e cobertos com terra. Poderão ainda ser imersos em solução de água com sabão em pó por um período de 24 horas, antes de receberem destinação final, no caso o lixo comum; outra alternativa é o uso de água fervente e/ou a incineração.

Comissão Regional de Saúde Pública Veterinária do CRMV-PB