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Historicamente a Semana Santa é celebrada por milhares de pessoas. Nessa época, o consumo de pescados tende a aumentar e, com isso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba (CRMV-PB), preocupado com o bem-estar das pessoas e com a segurança alimentar, traz algumas orientações e esclarece dúvidas acerca da aquisição desse tipo de alimento.

Os pescados disponíveis à venda devem estar livres de contaminantes, não colocando em risco a saúde de quem for consumir. Além disso, o ideal é expor os pescados frescos em balcões frigoríficos sob camada generosa de gelo, em temperatura entre -0,5°C e -2,0°C, dispostos em locais limpos e higienizados, sendo os mesmos manuseados por funcionários com as mãos devidamente protegidas e limpas. Quando o produto for comercializado congelado, deve estar em temperatura de -18°C e, a água proveniente do descongelamento, deve ser drenada evitando o contato direto com o produto. Em feiras livres, a venda do pescado deve seguir todas as recomendações anteriores, além disso, o produto deve estar em caixas de isopor limpas.

Quanto aos pescadores é importante que escolham locais e períodos próprios e autorizados para a prática de captura do pescado, diminuindo as chances de obtenção de produtos contaminados. O acondicionamento do pescado deve ser feito diretamente em caixas isotérmicas limpas e higienizadas, contendo gelo de procedência (produzido com água potável) em quantidade suficiente para atender o tempo necessário de duração da pesca, bem como o volume de pescados capturados.

Antes de obter o pescado, o consumidor deve observar a limpeza do estabelecimento que está comercializando, o estado de higienização do piso, paredes, balcões, caixas isotérmicas, balança, dentre outros utensílios e objetos utilizados direta e indiretamente para manuseio do produto.

A higienização da roupa dos funcionários do estabelecimento é de grande importância, o que mostra o nível de preocupação que o estabelecimento tem frente ao produto que se comercializa e à saúde dos consumidores. O odor do ambiente de comercialização deve ser característico, mas não insuportável, a ponto de parecer que ali existem alimentos estragados.

Caso o pescado seja comercializado embalado (produto processado pela indústria), o consumidor deve estar atento às seguintes informações:

– Existência do registro no Serviço de Inspeção competente (municipal, estadual ou federal);

– Data de embalagem e validade do produto;

– Lote;

– Peso bruto e peso drenado.

É importante que produtos resfriados e congelados sejam escolhidos ao final das compras, para evitar perda de temperatura deixando-os impróprios para o consumo.

As características de um pescado próprio para a aquisição e consumo são classificadas a seguir:

– Peixes: devem estar com olhos transparentes, brilhantes, salientes e firmes, escamas bem aderidas, brilhantes, guelras róseas ou avermelhadas e úmidas; carne firme, sem impressão ao toque com os dedos, cheiro característico lembrando plantas marinhas e ânus fechado.

– Crustáceos: possuir cabeça e a casca firmemente aderidas ao corpo, aspecto brilhante e úmido, coloração própria da espécie, olhos vivos e cheiro próprio. O odor de amônia é indicativo de alteração, devendo se evitar o produto quando nessa condição.

– Peixes secos/desidratados: a presença de manchas amareladas, esverdeadas ou de qualquer coloração diferente daquela própria da espécie, caracteriza alteração, tornando-o impróprio para o consumo. Um dos mais conhecidos é o bacalhau que, inclusive, tem maior custo devido à sua origem. É importante que peixes secos sejam mantidos longe da umidade até o momento do preparo.

– Moluscos (ostras, mexilhões, etc.): devem estar com as conchas fechadas, as quais se abrem somente após o cozimento. Aquelas que permanecerem fechadas mesmo após o preparo, não devem ser consumidas. Polvos e lulas devem se apresentar com a pele nitidamente aderida ao corpo e com coloração padrão roxo clara. O odor deve ser claro e pronunciado.

Méd. Vet.  Andreey Teles – Assessor Técnico do CRMV-PB