Doença de Newcastle: prevenção e biosseguridade são fundamentais para proteger a criação de aves
A confirmação de focos da Doença de Newcastle em estabelecimentos avícolas comerciais na região Sul reforçou a importância da adoção de medidas preventivas na criação de aves. Diante do cenário, o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) chama a atenção para os cuidados necessários para evitar a introdução e a disseminação da enfermidade nos plantéis avícolas. A vacinação é uma ferramenta importante para prevenir a doença e deve seguir as normas sanitárias vigentes.
O médico-veterinário e professor doutor Wilson Wouflan, vice-presidente do CRMV-PB, destaca a importância do monitoramento sanitário, da biosseguridade e do diagnóstico laboratorial para o controle da doença.
Wilson Wouflan, que integra a Comissão Nacional de Uma Só Saúde do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), explica que a Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que acomete aves domésticas e silvestres. A doença é causada pelo paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1) e pode provocar manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, redução da produção de ovos e mortalidade, a depender da virulência da cepa envolvida.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com aves infectadas e pela exposição a secreções respiratórias, fezes, aerossóis e materiais contaminados. Equipamentos, roupas, veículos e outros objetos utilizados no manejo também podem contribuir para a disseminação do vírus.
Entre as principais medidas de prevenção estão o controle do acesso de pessoas e veículos às propriedades, a higienização e a desinfecção de instalações e equipamentos, os cuidados com o manejo e a restrição do contato entre aves domésticas e aves de outras origens.
A vacinação também integra as estratégias de prevenção e deve seguir a legislação sanitária vigente e as orientações do médico-veterinário responsável. No Brasil, a vacinação é obrigatória para aves reprodutoras e poedeiras comerciais, conforme as disposições sanitárias aplicáveis.
O vice-presidente do CRMV-PB ressalta a importância de os criadores manterem o acompanhamento veterinário dos plantéis e procurarem o serviço oficial de defesa agropecuária diante de qualquer suspeita. A notificação de alterações no comportamento, sinais respiratórios ou neurológicos e mortalidade incomum permite a investigação e a adoção das providências sanitárias necessárias.
Saúde humana – Embora a Doença de Newcastle seja considerada uma enfermidade de importância predominantemente veterinária, sanitária e econômica, a infecção humana pode ocorrer, especialmente entre pessoas que mantêm contato direto com aves infectadas ou materiais contaminados. Quando acontece, pode provocar principalmente conjuntivite transitória.
Por isso, trabalhadores de granjas, médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos no manejo devem utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs), higienizar frequentemente as mãos e seguir os protocolos de biosseguridade.
